Por Dr. Fábio Serra – Neurocirurgião e idealizador do podcast Entre Neurônios
Sempre que começo a falar sobre exercício físico, eu gosto de lembrar uma verdade simples, mas poderosa: nosso corpo é o templo onde nossa existência habita. Cuidar dele vai muito além de estética ou performance — é uma escolha de saúde, clareza mental e até mesmo espiritualidade. No quarto episódio do podcast Entre Neurônios, tive a honra de conversar com três hosts incríveis — Karin Posegger, Paulo e Arthur Vinicius — sobre o impacto do exercício físico na saúde mental e na performance cognitiva. E o que posso garantir é: essa conversa foi transformadora.
Meu corpo em movimento, minha mente mais leve
Quem me conhece sabe que minha rotina sempre teve o esporte como pilar. Já fui goleiro de futsal, pratiquei capoeira, atletismo, corrida de aventura, ultramaratona, e hoje sou faixa marrom no jiu-jitsu. Se fico sem treinar, eu enlouqueço — e não é força de expressão. Meu corpo precisa do movimento, mas minha mente, talvez, precise ainda mais.
A Karin trouxe um ponto essencial nessa discussão: a prática esportiva não precisa ser de alta intensidade, nem passar por musculação. Ela encontrou equilíbrio e bem-estar no pilates e no beach tennis — atividades que permitem concentração, riso e conexão consigo mesma. Já o Arthur compartilhou sua paixão pela bicicleta. A sensação de liberdade e velocidade o liberta de uma rotina pesada e traz lucidez para os estudos. E o Paulo, nosso “homem da musculação”, lembrou que mesmo os treinos em máquinas podem ter um efeito quase meditativo, aliviando pressões e abrindo espaço para a concentração.
Os dados são claros e chocantes: o estilo de vida impacta até 80% a saúde de uma pessoa. Mesmo com todo o avanço da medicina moderna, conseguimos mudar a trajetória da nossa saúde mais pela forma como vivemos do que pelos remédios que tomamos. E o exercício é uma das ferramentas mais poderosas nesse processo.
Praticar atividade física melhora a função cardiovascular, a sensibilidade à insulina, a imunidade e fortalece músculos, ossos e articulações. Mas o que mais me encanta é o efeito sobre o cérebro: aumenta a produção de serotonina, dopamina e endorfina, melhora a memória, o foco e regula o sono. Ativa, inclusive, a produção de BDNF — uma substância que promove plasticidade sináptica e neurogênese no hipocampo. Em outras palavras: o exercício literalmente transforma o cérebro.
Como disse a Karin, o exercício físico, em muitos casos, pode ter um impacto comparável ao de medicamentos psicotrópicos no tratamento da ansiedade e depressão — com uma diferença crucial: sem efeitos colaterais e com um bônus emocional de amor próprio, autoestima e sensação de conquista. O Paulo trouxe essa visão da prática clínica: em casos como fibromialgia, a atividade física é a primeira linha de tratamento. E o Arthur resumiu muito bem como isso se reflete no dia a dia — treinar pela manhã é como cumprir uma missão. Dá força para o resto do dia.
A chave está em começar (e continuar)
Não importa se é musculação, pilates, beach tennis, bike, jiu-jitsu ou simplesmente uma caminhada. O importante é sair da inércia. Crie metas, encontre um grupo, busque um personal ou treine com amigos. O corpo se adapta e responde. Mas, mais que isso, a mente se abre, clareia e agradece.
Se você ainda acha que não tem tempo, força ou vontade, lembre-se do que conversamos neste episódio: o maior desafio é vencer a si mesmo. E vencer a si mesmo, dia após dia, cria uma força interior que nenhum remédio é capaz de oferecer.
🎙️ Assista agora ao episódio completo do podcast Entre Neurônios no YouTube
Com participação da psicanalista Dra. Karin Posegger e dos estudantes Paulo e Arthur
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Compartilhe este artigo com quem pode estar precisando ouvir isso hoje. Pode ser a pausa necessária no plantão emocional de alguém!





