PILATES, DOR E CIÊNCIA: UMA CONVERSA REAL SOBRE MOVIMENTO E SAÚDE

Por Dr. Fábio Serra – Neurocirurgião e idealizador do podcast Entre Neurônios

Neste episódio especial do Entre Neurônios, eu e Karen abrimos espaço para uma conversa que vai além da medicina tradicional. Recebemos Graciela Folha, educadora física, especialista em saúde preventiva e professora de Pilates com mais de 15 anos de experiência, para discutirmos o que de fato torna o Pilates um dos métodos mais completos de cuidado com o corpo — e por que, mesmo assim, ele ainda é cercado de mitos e preconceitos.


Quando o corpo pede movimento

Eu vejo todos os dias no consultório: pacientes jovens, fortes, atléticos — mas com dor crônica. Pessoas com hérnias, artroses, limitações funcionais. E, na maioria das vezes, a cirurgia não é o caminho. A dor que chega até mim é, quase sempre, um alerta de desequilíbrio, de sedentarismo disfarçado, de um corpo sem base.
É aí que entra o Pilates.

Graciela começou sua trajetória por acaso — cobrindo uma aula de Pilates sem saber nada sobre o método. Mas foi no próprio corpo, sentindo os efeitos da prática, que ela encontrou não só sua vocação profissional, mas também uma nova qualidade de vida.

“Eu tenho artrose, condromalácia grau 4, discrepância de membros. Sentia dor o tempo todo. O Pilates me mudou da água para o vinho.”


O centro do corpo é o início da cura

Uma das grandes lições que Graciela nos trouxe foi simples, mas poderosa: o centro do corpo — o famoso “core” — é o início de tudo. Um abdômen desativado, uma pelve instável ou uma musculatura profunda negligenciada geram o desequilíbrio que, aos poucos, se transforma em dor.

“O Pilates trabalha o corpo como um todo, do centro para as extremidades. Ele não segmenta como a musculação. Tudo é integrado.”

Essa integração é o que o diferencia. Ao longo da conversa, fizemos paralelos com a arte marcial, com o boxe, com o jiu-jitsu — todos falam da força que vem de dentro. O Pilates ensina isso com método, técnica e consciência.


Mitos que precisam ser desfeitos

Durante o episódio, abordamos os principais mitos sobre o Pilates:

  • “Pilates é só alongamento.”
  • “É só para idosos.”
  • “Só fisioterapeuta pode aplicar.”
  • “É leve demais.”
  • “Parece uma sala de tortura.”

Nada mais distante da verdade. O Pilates é um método completo de condicionamento físico e consciência corporal, ideal para qualquer idade, adaptável a qualquer limitação e, quando bem conduzido, mais desafiador que muitos treinos de academia.

Como bem disse Karen, que hoje é aluna dedicada:

“Eu achava que não ia conseguir. Que os equipamentos eram coisa de tortura. Hoje eu faço, me sinto mais forte, mais alongada, mais consciente do meu corpo. É cansativo — mas é um cansaço que cura.”


O que diferencia o Pilates de outras atividades?

Durante a discussão, eu questionei Graciela: por que um paciente com dor não poderia simplesmente fazer musculação? A resposta foi precisa: não é sobre a atividade, é sobre quem orienta.
Um bom profissional pode adaptar a musculação, o crossfit, o que for. Mas o Pilates já nasce com esse DNA — é um método feito para corrigir, fortalecer, alinhar, prevenir.

Graciela resumiu com uma frase de Joseph Pilates:

“Não importa o que você faz, e sim como você faz.”


Para quem é o Pilates?

  • Para quem tem dor lombar, cervical ou articular.
  • Para quem quer prevenir lesões e envelhecer com mobilidade.
  • Para quem busca reabilitação após cirurgia.
  • Para atletas e esportistas que precisam de equilíbrio muscular.
  • Para mulheres no pós-parto ou com incontinência urinária.
  • Para idosos que querem manter autonomia.
  • Para profissionais da saúde, que passam o dia em pé ou sentados.

Graciela atende pacientes de 18 a 92 anos. E muitos deles, inclusive, deixaram de precisar de cirurgia após iniciar o Pilates.

“Uma aluna veio se despedir porque ia operar. Eu pedi 3 meses. Hoje ela está comigo há 13 anos. Nunca mais sentiu dor.”


E se eu não tiver acesso ao Pilates?

Nem todo mundo pode pagar por um estúdio. Sabemos disso. Mas, como reforçamos no episódio, movimento é saúde — e pode começar nas pequenas escolhas:

  • Suba escadas.
  • Caminhe um pouco mais.
  • Use os equipamentos públicos das praças.
  • Busque centros municipais de esporte, SESCs, projetos sociais.

“O importante é se mexer. Quem se mexe vive melhor. O nosso corpo foi feito para isso.”


O Pilates como recurso terapêutico

Muitos médicos ainda indicam cirurgia como primeira opção. Outros, como eu, preferem olhar o paciente como um todo. E, nesses casos, o Pilates não é luxo — é tratamento.

A postura muda. A dor diminui. O sono melhora. O intestino funciona. A mente acalma.
E tudo isso sem remédio, sem bisturi, sem efeitos colaterais.


Sinta antes de julgar

Finalizo este artigo como finalizamos o episódio: com um convite.

Se você nunca tentou, experimente. Se você já tentou e parou, retome. E se você é médico ou profissional de saúde, faça Pilates para entender o que está recomendando.

“Sentir no corpo para fazer sentido na alma.” – Graciela Folha

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