Por Dr. Fábio Serra – Neurocirurgião e idealizador do podcast Entre Neurônios
Pouca gente sabe o que realmente acontece dentro da cabeça de um médico e não estou falando da anatomia. Falo da mente, dos dilemas, das pressões, da resiliência quase sobre-humana que essa profissão exige.
No sexto episódio do Entre Neurônios, eu, Karin, Paulo e Arthur, juntos destrinchamos as camadas do que significa escolher uma carreira que exige tanto da gente mental, emocional e fisicamente.
Ao longo do episódio, falamos sobre algo que todo médico já sentiu, mas poucos conseguem explicar: o peso de uma formação longa, a cobrança constante por excelência, e a eterna sensação de que nunca é o bastante.
Arthur trouxe um ponto brilhante: “Se você não cuida da sua própria mente, como vai cuidar da mente e do corpo do outro?” É duro, mas verdadeiro. Cuidar da saúde mental do médico é urgente e não pode ser tabu.
Discutimos bastante sobre resiliência, mas não como aquela palavra que virou chavão de palestra motivacional. Falamos da verdadeira resiliência: a que te obriga a levantar depois de uma morte que você não conseguiu evitar, depois de uma residência que te esgotou, depois de anos ouvindo que você precisa aguentar “porque escolheu essa vida”.
Ser médico é aprender a recomeçar todos os dias mesmo cansado, mesmo em dúvida, mesmo com medo.
Paulo trouxe uma provocação que me marcou: “A gente passa anos estudando o corpo humano, mas quase nenhum tempo entendendo como funciona nossa própria mente”.
A mentalidade médica tradicional ainda valoriza o sacrifício como sinônimo de competência. Mas estamos vivendo uma transição: da medicina-heróica para a medicina-humana. E isso começa por dentro.
Karin, mesmo sem ser médica, nos ofereceu uma visão sensível e sincera de quem convive com a medicina nos bastidores. Ela compartilhou como é viver com alguém que carrega plantões, decisões e angústias para casa.
Foi uma fala potente, que nos lembrou que o médico também precisa ser cuidado e que o entorno tem papel fundamental nisso.
Este episódio me fez lembrar que, antes de sermos médicos, somos humanos. E que cuidar de nós mesmos não é um luxo é parte do compromisso que assumimos com os nossos pacientes.
Falar de saúde mental na medicina não é modismo. É uma necessidade urgente. Porque só quem entende o próprio cérebro é capaz de cuidar, de verdade, do cérebro de outra pessoa.
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