Por Dr. Fábio Silva – Neurocirurgião e idealizador do podcast Entre Neurônios.
Falar de dinheiro é quase um tabu entre médicos. Durante a formação, nos ensinam anatomia, fisiologia, farmacologia e condutas de urgência. Mas quase nada sobre como lidar com o que ganhamos. O resultado é previsível: médicos endividados, adoecidos financeiramente e inseguros para planejar o futuro. Foi sobre isso que conversei com o Dr. Marcos Siffert no episódio 21 do Entre Neurônios: uma conversa franca sobre o básico da educação financeira para quem trabalha salvando vidas.
A ilustração do “cano furado” Comecei trazendo uma imagem simples que uso com meus alunos: imagina que você tem uma caixa d’água e um cano com furos. Se entra mais do que sai, você está bem. Mas se os furos forem grandes demais ou muitos, você seca. A renda pode ser alta, mas o vazamento também. O que falta é planejamento.
O Dr. Marcos compartilhou experiências de quem acompanha médicos de diversas especialidades. Muitos vivem em uma corrida constante: ganham bem, mas gastam muito. Compram carros, abrem clínicas, trocam de apartamento… e muitas vezes não têm nenhuma reserva, nenhum plano para daqui a 10 anos. Vivem o presente com intensidade, mas ignoram que a medicina é uma profissão de ciclos.
Escolhas financeiras têm impacto emocional Algo que discutimos com profundidade foi o impacto emocional da vida financeira. Um médico que está endividado, pressionado por boletos ou insatisfeito com os ganhos, é um médico mais vulnerável ao burnout. É também mais suscetível a aceitar plantões exaustivos, trabalhar em locais que não acredita e colocar em risco sua própria saúde.
Ao longo do episódio, refletimos sobre o quanto a falta de educação financeira não é apenas um problema econômico, mas um problema de qualidade de vida. E que é urgente incluir esse tema na formação médica. Porque administrar dinheiro é, sim, um ato de cuidado. É autocuidado. E, como dissemos no programa, dinheiro também salva.
Não se trata de virar especialista em investimentos, mas de entender o básico: receitas, despesas, segurança financeira, planejamento de carreira, tipos de remuneração, tributação e modelos de contrato. São conhecimentos que deveriam ser ensinados ainda na faculdade, mas que, infelizmente, ficam por conta do “se vira”.
Prevenção também é financeira Assim como ensinamos nossos pacientes a prevenir doenças, precisamos ensinar nossos colegas a prevenir o colapso financeiro. A vida do médico é repleta de transições: da residência ao mercado, dos plantões à clínica, da juventude produtiva à aposentadoria. E para cada fase, há uma estratégia financeira diferente.
Não podemos continuar formando profissionais técnica e cientificamente brilhantes, mas analfabetos financeiros. O custo disso é alto demais. Não só para o indivíduo, mas para a sociedade que depende da lucidez desses profissionais.
Esse episódio é um convite: à consciência, à organização, à segurança. Não para que o médico enriqueça, mas para que ele não adoeça.
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