Por Dr. Fábio Serra – Neurocirurgião e idealizador do podcast Entre Neurônios
Ser médico já é um desafio. Mas ser médica dentro de uma estrutura ainda pautada por padrões masculinos é, muitas vezes, um embate silencioso entre a vocação e o desgaste. No episódio 26 do Entre Neurônios, recebi a brilhante Dra. Andreia Paula, médica ginecologista e obstetra, para conversar sobre o que ninguém vê: o impacto da medicina sobre a mulher que escolheu cuidar dos outros, mas nem sempre consegue cuidar de si.
A dor que não tem nome: cansaço, culpa e silêncio
Ao longo da conversa, foi impossível não me sensibilizar com os relatos da Dra. Andreia. Ela representa tantas outras mulheres que, dentro dos hospitais, consultórios e plantões, vivem em um eterno estado de alerta. A estrutura da medicina, ainda marcada por jornadas exaustivas, cobranças desproporcionais e exigências de “performance perfeita”, esmaga silenciosamente o bem-estar das profissionais de saúde.
E o mais preocupante: isso acontece sem que elas possam parar. Afinal, há pacientes, famílias, filhos, boletos e uma sociedade inteira que espera delas entrega, empatia e resiliência. O problema é quando essa resiliência vira sobrecarga.
Quando a medicina adoece a mulher que cuida
Durante o episódio, abordamos como muitas médicas, especialmente em áreas como ginecologia, obstetrícia e clínica médica, enfrentam barreiras para reconhecer sua própria dor. Elas sabem identificar sinais de alerta em pacientes, mas muitas vezes ignoram os seus.
Conversamos sobre a dificuldade de pedir ajuda, a culpa materna que recai sobre aquelas que precisam se ausentar, e o preconceito sutil que ainda existe em relação às emoções femininas no ambiente de trabalho. Tudo isso cria um ciclo de silenciamento, onde o sofrimento vai sendo empurrado para debaixo do jaleco.
A coragem de parar e se escutar
A Dra. Andreia compartilhou sua própria experiência com o burnout e a decisão de reconstruir sua prática com mais empatia, menos urgência e mais respeito ao seu ritmo. Falar sobre isso em público não é apenas um ato de coragem. É um gesto de cuidado com todas as outras que ainda não conseguiram nomear o que sentem.
Ao lado dos colegas Arthur e Paulo, refletimos sobre a importância de criar espaços de escuta dentro da formação e da prática médica. Espaços onde a vulnerabilidade não seja confundida com fraqueza, mas sim reconhecida como parte da humanidade que sustenta a medicina de verdade.
A medicina precisa caber na vida das médicas
O episódio 26 é um convite para todos nós, homens e mulheres da medicina, repensarmos a estrutura que criamos e mantemos. Porque não adianta falar sobre empatia com o paciente se não conseguimos exercí-la entre nós. Porque não basta formar excelentes profissionais, é preciso garantir que elas continuem inteiras.
Se você é médica e se sente atravessada por essa conversa, ou se você conhece uma colega que possa se beneficiar dessa reflexão, compartilhe esse conteúdo. Ele é sobre você. E para você.
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