Por Dr. Fábio Serra – Neurocirurgião e idealizador do podcast Entre Neurônios
Eu sempre fui fascinado pelos extremos da biologia humana. Por aquelas histórias que desafiam a lógica médica, que forçam os limites do que a ciência considera possível. E foi essa curiosidade, quase um espanto diante do improvável, que me inspirou a gravar o episódio 13 do podcast Entre Neurônios.
Neste episódio, que contou com a presença dos alunos Arthur Vinicius e Paulo, exploramos os casos mais incríveis de sobrevivência humana já registrados: quedas de grandes alturas, soterramentos, acidentes em alto-mar, pessoas que ficaram dias sem água ou alimento, e ainda assim, sobreviveram. Mas, mais do que listar essas histórias, nosso objetivo era refletir sobre o que elas revelam sobre o corpo humano.
E o que elas revelam é assustadoramente belo.
Esses casos são exceções. São situações-limite que beiram a morte, mas que também nos lembram que o corpo humano não é apenas frágil. Ele é adaptável. Ele é resistente. Ele é, em muitos aspectos, antifrágil, um conceito que discutimos bastante durante o episódio. Diferente da resiliência (que apenas resiste), a antifragilidade representa a capacidade de se tornar mais forte após o trauma, após o caos. E isso, biologicamente falando, é uma das maiores dádivas da vida.
Em meio às histórias, discutimos também como a medicina muitas vezes não tem explicação para certos fenômenos. Pacientes que deveriam ter morrido. Órgãos que voltaram a funcionar. Fraturas que cicatrizaram de maneira inesperada. Isso tudo mostra que nem tudo se explica por exames e estatísticas. Existe um componente humano, e até espiritual, por que não?, que desafia qualquer protocolo.
Paulo e Arthur trouxeram questionamentos muito pertinentes. Até onde vai o papel da ciência? O que diferencia uma exceção biológica de um milagre? E, principalmente, como essas histórias impactam quem está se formando na área da saúde? A resposta, para mim, é simples: elas nos ensinam humildade. A medicina precisa ser exata nos fundamentos, mas aberta ao desconhecido. Precisa reconhecer o limite do que sabe e manter o olhar atento para o que ainda não compreende.
Gravar esse episódio foi uma viagem entre o espanto e a admiração. E se tem algo que ficou marcado para mim, é que por mais que a gente estude, investigue, opere ou prescreva… nunca devemos subestimar o poder da vida. O corpo humano é, sim, uma máquina, mas é uma máquina que sente, que responde ao inesperado e que, às vezes, surpreende até mesmo os mais experientes.
Se você também se impressiona com as histórias que desafiam a medicina, esse episódio é pra você. E talvez ele te lembre que, mesmo nos momentos mais difíceis, a vida pode encontrar uma forma de resistir.
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