O legado que não aparece no currículo

Por Dr. Fábio Serra – Neurocirurgião e idealizador do podcast Entre Neurônios

Na medicina, somos treinados para medir tudo: resultados clínicos, títulos acadêmicos, horas de plantão, congressos frequentados. Mas existe um outro tipo de impacto que não cabe em certificados nem diplomas e que raramente é registrado no currículo. Falo daquele legado silencioso, emocional, humano. O tipo de marca que a gente deixa nas pessoas, sem precisar assinar embaixo.

Esse é o tema do episódio 34 do Entre Neurônios, um episódio sem convidados, mas carregado de reflexões. Um momento em que compartilho não só vivências médicas, mas também percepções humanas que têm me acompanhado há anos.

Durante uma caminhada solitária, me peguei refletindo sobre algo que costumo dizer em sala de aula e nas mentorias: o verdadeiro impacto do médico nem sempre aparece no currículo. Ele aparece no olhar de um paciente, no silêncio de uma equipe diante de uma perda, no respeito de quem viu você agir com ética quando ninguém estava olhando.

Nesse episódio, eu pergunto:
Quantos legados você já construiu e quantos deles você consegue medir?

Falo sobre o que aprendi observando outros profissionais. Gente que não tinha cargos altos nem status público, mas que mudava realidades inteiras com pequenos gestos. Médicos e médicas que talvez nunca subiram num palco, mas que, dia após dia, honraram sua vocação nos bastidores da medicina.

Vivemos uma era em que a visibilidade parece medir o valor de um profissional. Mas a verdade é que muitas das grandes transformações acontecem em silêncio. Cuidar bem de um paciente, ouvir com atenção, respeitar uma escolha difícil, tudo isso também é construir legado.

Na fala que abre o episódio, digo com clareza: “Tem coisa que a gente carrega na alma, e não no crachá.”

Falo da importância de estar presente. De fazer o que é certo mesmo quando não tem ninguém olhando. De deixar um pouco da gente em cada atendimento, em cada decisão difícil, em cada silêncio que conforta.

Alguns profissionais vivem buscando reconhecimento. Outros simplesmente trabalham com dedicação e, sem saber, constroem algo maior do que prêmios: constroem memória afetiva.

Relembro no episódio o caso de um colega que marcou gerações sem jamais se promover. Alguém que fazia da medicina um exercício diário de humildade e entrega. Pessoas assim nos ensinam que a melhor aula não é a falada, é a vivida.

Se você é estudante de medicina, residente ou já tem anos de profissão, o convite desse episódio é simples: pense no tipo de marca que você quer deixar.

“A gente não precisa salvar o mundo inteiro. Mas pode salvar o mundo de alguém e isso é grande o suficiente.”

Falo sobre como atitudes cotidianas, chegar no horário, explicar com paciência, respeitar o cansaço do colega, também constroem legado. Porque o exemplo arrasta, ensina, molda o ambiente ao nosso redor.

O que você está plantando hoje?

No final do episódio, deixo um chamado: Não espere estar na direção de um hospital ou na coordenação de um curso para ser referência. Você já é, mesmo sem perceber. E o que você faz hoje, no detalhe, no cuidado, na ética… é o que vai ser lembrado amanhã.

Seja você o tipo de profissional que inspira, mesmo em silêncio.

🎙️ Ouça agora o episódio completo do podcast Entre Neurônios:
YouTube: https://youtu.be/k1AYruckwEw
Spotify:https://open.spotify.com/episode/0Qvse58LuSVsx7KkEelCWT?si=CUPH5A43SL-iHOzAUUozAw

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