Por Dr. Fábio Serra, com a Dra. Karin Posegger e Dr. Antônio Monteiro da Fonseca Neto Episódio 33 do podcast Entre Neurônios
Por que o homem evita o médico? Essa pergunta simples foi o ponto de partida para um dos episódios mais necessários do nosso podcast. E não, a resposta não está apenas na vergonha do toque retal, ela passa por cultura, educação, masculinidade, medo, desinformação e negligência.
Recebemos no Entre Neurônios o urologista Dr. Antônio Monteiro da Fonseca Neto, médico com mais de 35 anos de atuação, para discutir tudo o que os homens (e muitas vezes até os médicos) evitam falar: prevenção, autocuidado, fertilidade, performance sexual, testosterona, cirurgia robótica, câncer e saúde emocional.
Foi uma aula. E também um alerta.
“O homem não é ensinado a cuidar de si”
Logo no início da conversa, o Dr. Antônio trouxe uma reflexão marcante:
“A mulher é educada desde cedo para ir ao médico, fazer exames, falar sobre o corpo. O homem, não. O homem aprende que sentir dor é fraqueza.”
Esse modelo de masculinidade tóxica que afasta o homem do próprio corpo tem consequências sérias: diagnósticos tardios, complicações evitáveis e uma vida inteira de descuido camuflado de bravura.
Segundo ele, o urologista deveria acompanhar o homem desde a infância. Na prática, porém, muitos homens só chegam ao consultório após os 50, quando surgem sintomas de disfunção erétil ou alterações no PSA. E isso é tarde demais.
Adolescência, educação sexual e fertilidade futura
Como médicos, precisamos falar mais sobre higiene íntima, infecções sexualmente transmissíveis, práticas seguras e fertilidade com meninos e adolescentes. Mas esse diálogo ainda é raro, cheio de tabus e omissões.
“Se a primeira vez que um homem conversa sobre sexo com um profissional de saúde é quando ele já tem um problema, alguma coisa está errada no sistema.” Dra. Karin Posegger
A saúde sexual é parte da saúde integral. E a medicina tem o dever de acolher, orientar e educar.
A banalização da testosterona e o culto à performance
Um dos trechos mais contundentes do episódio foi o alerta sobre o uso indiscriminado de testosterona e anabolizantes. O Dr. Antônio foi direto:
“A obsessão pelo corpo perfeito e pela performance sexual está destruindo a saúde metabólica, mental e reprodutiva de muitos homens jovens.”
Há uma epidemia silenciosa de infertilidade causada por ciclos mal orientados de hormônios. Além disso, a pressão por desempenho cria ansiedade, dependência de medicamentos e insatisfação constante. O prazer vira um padrão a ser atingido e não mais um espaço de encontro, escuta e afeto.
O toque retal ainda é um tabu mas não deveria
Falamos também sobre o câncer de próstata, a importância da associação entre PSA e toque retal e os mitos que persistem mesmo entre pacientes com bom acesso à informação.
“Cuidar da próstata não é só fazer exame. É mudar a cultura do corpo masculino.” Dr. Antônio
Cuidar da próstata é cuidar da saúde urinária, da função sexual, do bem-estar geral. E, sim, é salvar vidas.
Tecnologia, cirurgia robótica e seus limites
Outro ponto abordado com profundidade foi o avanço da cirurgia robótica no Brasil. O Dr. Antônio explicou que, apesar dos benefícios da precisão e da recuperação mais rápida, a robótica ainda é uma ferramenta não uma solução mágica.
“A técnica pode ser de última geração. Mas se não houver escuta, empatia e vínculo, o cuidado continua incompleto.”
A medicina começa no olho no olho.
O acolhimento como revolução
Talvez a maior lição do episódio tenha sido essa: acolher o homem é uma revolução. Escutá-lo sem julgamento, ajudá-lo a nomear o que sente, convidá-lo a cuidar de si mesmo que ele nunca tenha feito isso antes.
“O paciente masculino precisa entender que procurar ajuda não é sinal de fraqueza. É sinal de inteligência, maturidade e amor-próprio.” Dr. Fábio Serra
A medicina precisa repensar sua linguagem
Ao longo do episódio, percebemos que parte da resistência masculina vem da forma como a própria medicina se comunica. Consultas rápidas, linguagem técnica, julgamentos implícitos.
“O homem precisa ser ensinado que saúde não é só ausência de dor. E o médico precisa aprender a conversar com esse homem.”
Isso exige tempo, escuta ativa e, acima de tudo, humanidade.
Um episódio essencial para todos
Se você é médico, estudante, profissional da saúde ou simplesmente alguém que quer entender melhor o universo da saúde masculina, este episódio é para você.
“A gente não muda a cultura de uma vez. Mas cada conversa conta. E cada paciente ouvido com respeito pode ser o início de uma transformação.”
🎧 Ouça agora o episódio 33 do podcast Entre Neurônios:
YouTube: https://youtu.be/VDstIhCQv_g
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👨⚕️ Apresentado por mim, Dr. Fábio Serra, com a psicanalista Dra. Karin Posegger e o urologista convidado Dr. Antônio Monteiro da Fonseca Neto.
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