Entre Neurônios Ep. 39 – Com Dra. Erika Pastorelli Trentin
Se tem uma coisa que a faculdade de medicina não ensina, e que cobra um preço alto depois, é como lidar com dinheiro.
E não estou falando de ganhar.
Estou falando de não perder.
Porque existe um ponto na carreira médica que ninguém prepara você: o momento em que você percebe que trabalha muito… mas não necessariamente cresce na mesma proporção.
E é aí que entra um tema que muitos evitam, até ser tarde demais: impostos.
O problema não é o leão. É ignorar que ele existe.
Durante anos, o médico é treinado para salvar vidas, tomar decisões críticas e operar sob pressão.
Mas ninguém ensina o básico:
- Como estruturar a própria carreira financeiramente
- Como pagar menos imposto dentro da lei
- Como evitar erros que podem gerar problemas sérios
E aí acontece o inevitável:
Você começa a ganhar mais… E, proporcionalmente, começa a perder mais também.
Sem perceber.
Quem trouxe luz para esse tema
Neste episódio, tive o privilégio de conversar com alguém que vive exatamente nesse ponto de interseção entre medicina, direito e estratégia:
Dra. Erika Pastorelli Trentin
Advogada tributarista e consultora em bioética, com uma atuação extremamente relevante na defesa médica.
Mas aqui vale uma pausa, porque o diferencial dela não está apenas no currículo. Está na profundidade com que ela entende o contexto do médico.
Ela não olha só para números.
Ela entende a realidade da profissão.
Destaques da Dra. Erika:
- Atuação na defesa de médicos em sindicâncias e processos ético-profissionais (CRM e CFM)
- Especialista em Direito Tributário (PUC)
- Especialista em Direito da Medicina (Universidade de Coimbra – Portugal)
- Mestranda em Ciências da Saúde (UNIFESP)
Ou seja, não estamos falando de alguém que apenas conhece leis.
Estamos falando de alguém que entende o impacto real dessas decisões na vida médica.
O erro silencioso que quase todo médico comete
Existe um padrão que se repete: O médico começa a atender mais… A renda aumenta… Mas a estrutura continua amadora.
Sem planejamento.
E aí surgem decisões como:
- Trabalhar como pessoa física por tempo demais
- Não organizar corretamente contratos
- Misturar finanças pessoais com profissionais
- Ignorar completamente o planejamento tributário
E isso custa caro.
Muito caro.
Medicina forma profissionais. Não forma gestores.
Esse é um ponto que me incomoda e que ficou ainda mais claro na conversa com a Dra. Erika.
A formação médica é extremamente técnica. Mas completamente negligente no aspecto estratégico da carreira.
Você sai preparado para:
- Diagnosticar
- Operar
- Prescrever
Mas não para:
- Estruturar um modelo de atuação
- Tomar decisões financeiras inteligentes
- Proteger seu patrimônio
- Evitar riscos jurídicos
E isso cria um profissional altamente capacitado…
Mas vulnerável.
Quando o problema deixa de ser financeiro e vira jurídico
E aqui a coisa começa a ficar mais séria.
Porque não estamos falando apenas de pagar mais imposto do que deveria.
Estamos falando de riscos como:
- Problemas com Receita Federal
- Enquadramentos fiscais incorretos
- Processos éticos que poderiam ser evitados
- Exposição desnecessária do profissional
E é nesse ponto que a atuação da Dra. Erika ganha ainda mais peso.
Porque ela não atua só na prevenção.
Ela atua quando o problema já aconteceu.
E isso muda completamente a perspectiva.
O médico não pode ser ingênuo
Existe uma ideia perigosa na medicina:
a de que basta ser bom tecnicamente.
Não basta.
Hoje, o médico precisa entender que:
- Ele é também um profissional liberal
- Ele é também uma marca
- Ele é também um gestor do próprio negócio
Ignorar isso não é humildade.
É fragilidade.
Planejamento não é sobre pagar menos. É sobre sobreviver melhor
Muita gente ainda associa planejamento tributário com “jeitinho”.
E isso está completamente errado.
Planejamento tributário é:
- Legal
- Necessário
- Estratégico
É sobre pagar o que é devido, mas não pagar além do necessário por falta de estrutura.
E isso, no longo prazo, muda completamente o jogo.
O ponto mais importante da conversa
Se tem uma mensagem que resume esse episódio, é essa:
Você não pode delegar completamente aquilo que você não entende.
Pode e deve ter assessoria.
Mas precisa ter consciência.
Porque, no final, a responsabilidade sempre será sua.
A medicina precisa evoluir além do bisturi
Talvez esteja na hora de ampliarmos o conceito de formação médica.
Porque formar médicos que sabem operar, mas não sabem se proteger…
é formar profissionais incompletos.
E isso tem custo.
Financeiro.
Emocional.
E, muitas vezes, jurídico.
O título do episódio não é por acaso.
“Anestesiar o leão” não significa ignorar impostos.
Significa entender, estruturar e agir com inteligência.
Porque o problema nunca foi o leão.
O problema sempre foi entrar na selva… sem saber que ele estava lá.





